Iemanjá
- Uma homenagem do Centro Espírita Choupana de Obaluaê -
IEMANJÁ - YEMANJA - YEMOJA
IEMANJÁ - YEMANJA - YEMOJA
 
"Iya ni wura, Baba ni Dingi” é um ditado Iorubá que significa “Mãe é uma jóia, Pai um espelho”. Esse ditado traduz uma forma particular de reverenciar às Mães, por simbolizarem e representarem a vida e sua propagação. 
 
Na cultura Iorubá, as mulheres são os membros mais importantes da sociedade em termos de poder mágico, são elas que dão à luz, que possuem o dever de educar, atos esses que são comparados à magia da terra, da mãe natureza. Elas representam o ventre da terra, no qual repousam a vida e a morte.
 
Cada criança Iorubá tem sua “mãe de guarda” (Orixá), assim como, a maioria das cidades africanas possui um guardião ou guardiã. Por exemplo: A padroeira de Ibadan é Iemanjá, de Oshogbo é Oxum, de Oyo é Xangô, de Ire é Ogum, etc.
  
Na África, Iemanjá é a divindade do Rio Ogun, a padroeira da região de Ibadan, onde recebeu um Santuário/Templo construído com lama (arquitetura tradicional Iorubá) no qual havia uma imagem em que fora representada com seios e nádegas fartos, simbolizando a fertilidade. Ainda hoje o local onde o Templo estava localizado é conhecido como “Popo-Yemoja”.

O seu nome tem origem na expressão Iorubá Yèyé omo ejá, que significa "mãe cujos filhos são como peixes". 
 
As celebrações anuais que ocorrem, ainda nos dias de hoje, em Ibadan incluem três dias de canto e dança, tendo como ponto alto a procissão que sai de “Popo Yemoja” até o palácio do Olubadan e Oja – Oba. É um fervor espiritual que abre mente e coração para o mais elevado nível da existência espiritual.
 
Na arte, especialmente africana, é retrata muitas vezes segurando uma criança no colo e, frequentemente cercada de crianças. Às vezes é retratada como “Olokun”, andrógina, metade mulher e metade peixe, a Orixá que está ligando a humanidade com a sua antiga casa, com a energia e a vitalidade das águas.
 
Uma das tantas lendas a respeito dos Orixás conta que Odudua deu a seu esposo, Obatala, um menino e uma menina. Aganju (mato, floresta = terra seca) e Yemoja (mãe de peixe = terra úmida).
 
Aganju e Yemoja tiveram um filho, Orungan (ar). Orungan, aproveitando-se da ausência do pai, possuiu sua mãe, YemojaYemoja, com repugnância, fugiu de Orungan. No trajeto, Yemoja caiu de costas no chão e seu corpo inchou. De seus seios saíram a água que formou rios e de seu ventre, que explodiu, nasceram/saíram os Orixás, tendo Iemanjá atribuído a cada um uma missão.
 
No local onde o corpo de Yemoja inchou, foi construída a cidade de Ifé.
 
É bom que se esclareça que as lendas dos Orixás não retratam nem fomentam promiscuidade, incesto ou até comportamentos criminosos. Quando se diz que um filho possui a mãe e dessa relação nascem descendentes, ou que um irmão mata outro irmão, trata-se de uma simbologia, já que os Orixás representam os elementos da natureza e não pessoas ou até mesmo espíritos. Assim, se Yemoja tem filho com o “irmão” Aganju, isso significa que os elementos água e terra uniram-se formando outro elemento, no caso, Orungan, o ar. Por sua vez, fundindo-se ar e água, a natureza revelou outras forças, o trovão, os lagos, as montanhas, etc.
 
Nesse ponto, outro esclarecimento se faz necessário. Quando um médium de Umbanda incorpora Iemanjá, isso não significa que está possuído pelo mar ou pela energia das águas, mas, está emprestando o corpo para espíritos mensageiros que trabalham na linha de Iemanjá.
 
 
Cada Orixá é representado na terra por espíritos mensageiros, que trabalham e atuam em diversas linhas, cada qual com sua missão, atribuição e responsabilidade. Na incorporação de espíritos com grau evolutivo superior, a mensageira recebe o nome do próprio Orixá, no caso, Iemanjá.
 
Citamos outros exemplos: o Babalorixá responsável pela Choupana de Obaluaê é filho de Obaluaê e Iemanjá. Recebe espíritos mensageiros de Iemanjá e Obaluaê, mas também trabalha espiritualmente com o Caboclo Ventania, mensageiro de Iansã, com o Vovô Congo, mensageiro de Oxum, com a Sra. Maria das Sete Catacumbas das Almas, mensageira de Iemanjá.  
 
Iemanjá é considerada a mais poderosa Orixá, já que todos os demais dependem dela porque nada se faz sem água. Água é fonte de vida.
 
Ela é a criadora, a procriação. É a mãe misericordiosa que ouve a oração e intercede diante da fúria. É a dona da calmaria. Simboliza o poder da maternidade, da feminilidade e da fertilidade. Ela é normalmente referida como " Iya o" (grande Mãe ou Mãe de todos). É quem rege, orienta e une as famílias. Por ser mãe de todos, é considerada dona das cabeças, sendo muito solicitada também em questões neurológicas e de equilíbrio.
 
É a dona dos mistérios do mar, dos mistérios da própria vida. Conhecedora das estradas a serem seguidas e suportadas por seus filhos e por quem lhe chama. A mãe que protege e acalenta.

No Brasil, o culto a Iemanjá desenvolveu-se com a vinda dos escravos trazidos da África, povo que deixou um grande legado para a história da nossa sociedade, bem como, para as manifestações culturais no nosso país, em especial, permitindo o desenvolvimento de manifestações religiosas como o Candomblé e, posteriormente, a genuinamente brasileira Umbanda.  

Dia da semana: Sábado.
Comemoração anual: 02 de Fevereiro.
Cor: branco, prata, azul celeste.
Sincretismo religioso: Virgem Maria, Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora das Candeias, em algumas localidades, Nossa Senhora da Conceição.

 
Nota: Existem muitos Orixás. Aqui no Brasil, no entanto, são cultuados (e, de uma forma geral, conhecidos) apenas alguns: Oxalá, Iemanjá, Obaluaê, Ogum, Oxum, Xangô, Iansã, Oxossi, Nanã, Tempo, Irôco, Oxumaré, Orixalá, dentre outros. A Umbanda, na vertente Almas e Angola cultua os seguintes Orixás: Oxalá, Iemanjá, Ogum, Naña, Xango, Iansã, Oxossi, Oxum e Obaluaê.

 
Para conhecer o Centro Espírita Choupana de Obaluaê:
                                
                                    www.choupanadeobaluae.org.br
 

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